[02:57:59] Alves.:
Eu fugi.
Estava na minha janela. Ouvindo alguns pássaros que talvez não tivessem sono. Ouvi grilos e sapos... A Dona Chuva também me fez uma visita. Acompanhou-me todo o tempo. Acompanhou-me timidamente. Observei a neblida quase invisível nas montanhas. A mesma que ora era animais e formas desconhecidas ora apenas neblina, que incrivelmente se multiplicava. Observei a rua de terra... encontrei mosquitos. Procurei a Lua - sem sucesso. Pensei, abraçada a minha pimenta que me traz um pedaço seu, mesmo que apenas em minha mente. Pensando em todas essas maravilhas que apenas podemos conhecer e nos encantar quando realmente paramos para apreciá-las. Meu corpo envolvido com essa vida: tremia. Curiosamente meu coração batia acelerado, enquanto meus neurônios pensavam em cada palavra que lhe digo agora.
De um lado da janela, um mundo no qual eu falsamente faço parte. Do outro, tudo o que há dentro de mim. Às vezes olhava para baixo, constatando que esse mundo terrestre a mim não pertence. Abusei da minha coluca pela forma erronia que venho sentando - por preguiça. Depois observando o lado contrário ao que assistia antes: o céu tinha cor de barro vermelho! O que inesquecivelmente ficou em minha memória.
Imergida em um mundo que ninguém conhece, onde os minutos duraram eternidades: refletia sobre a cor misteriosa. Disse a ele e a mim: és como eu. Sujo: teimosa e petulante; ciúmenta e terrível; mimada e egocêntrica. Mas há o lado sublime: o vermelho. Intenso e misterioso; gritante e encantador. Pois o sujo é o que sempre interessa mais. O diferente de todos e de nós mesmos.
Senti minhas pernas bambas e pura adrenalina. Procurei um relógio e quase uma hora tinha se passado. Mas de que maneira, se cada segundo foi como um dia inteiro?! O tempo voou com os pássaros que parecem não ter rumo durante a penumbra da noite. E me fez retornar: sem noção de como andar (...)
z.z
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[03:04:49] Alves.: Desculpe a demora.
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